Entrevista
concedida à Revista Santa Isabel
Revista:
Quando o senhor saiu de Tenente Portela?
Menezes: Eu saí de Tenente Portela
em 1976. Fui estudar no colégio em Taquara, um internato,
no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Fiquei até
final de 78, daí voltei para Miraguaí, Tenente
Portela de novo e em 79 vim para Porto Alegre. Fui trabalhar
com um tio meu em uma eletrônica. Só que eu não
me conformava com aquela situação de empregado,
daí em 82 eu fui trabalhar como representante comercial.
Revista: Como foi esse começo?
Menezes: Comecei em 82 com um outro tio meu
em uma sociedade que existiu até 88. A partir de 88
eu montei a minha representação sozinho. Trabalhei
com a representação até 2001, sendo que
eu já tinha montado a empresa aqui seis anos antes.
Como a empresa começou a se desenvolver, eu larguei
a representação.
Revista:
Quando o senhor chegou aqui em Viamão?
Menezes: Eu vim morar aqui em 1985, na Zilda de Abreu. Depois
vim para a Rincão da Querência. Depois, conhecemos
e compramos a sede da empresa.
Revista: Estabeleceu a empresa nessa época?
Menezes: Não. Ainda não. Quando
vim morar aqui na Rincão, um dia, estava passando pelo
prédio, que estava à venda e, brincando com
minha esposa, disse que iria comprá-lo. Ela riu e brincou
comigo. Aquilo parece que me motivou e acabei comprando-o
logo depois. Comprei o prédio que era do antigo Grassi,
estava depredado, daí comecei a reformar e montei a
loja. Mantinha a representação, mas chegou ao
ponto em que ficou inviável continuar com a representação.
Revista: Nessa época em que o senhor veio morar aqui,
onde a empresa funcionava?
Menezes: Em Porto Alegre, na Protásio Alves. Era a
representação, não a loja.
Revista:
Por que o senhor veio morar em Viamão?
Menezes: É que a minha esposa morava
e já conhecia aqui. Na época, vim morar aqui
devido às circunstâncias.
Revista:
Para a empresa foi melhor ficar instalada em Viamão?
Menezes: Quando abri aqui, o pessoal me chamava
de louco, devido ao tipo de material que eu vendia. Todo mundo
achava que não iria dar certo, pois Porto Alegre fica
perto daqui. Mas eu vim de maneira diferente, porque aqui
não tinha ninguém especializado em acabamento.
Revista: A empresa comercializa só em Viamão,
Região Metropolitana...?
Menezes: Toda a região metropolitana. Inclusive, como
nós temos uma parceria muito grande com a Ceusa, a
gente compra produtos em grande quantidade deles, então,
nesses tempos, gente lá de Uberlândia comprou
de nós. Ninguém tinha, daí a Ceusa nos
indicou. A gente vende praticamente para todo o estado.
Revista:
O senhor participou ou participa de algum movimento?
Menezes: No momento eu estou participando
de um grupo do Sebrae. Eu fiz um curso no Sebrae e estamos
desenvolvendo um curso profissionalizante na área de
mão-de-obra, pois Viamão é muito carente
em mão-de-obra qualificada.
Revista:
Qual será a sua participação no projeto?
Menezes: Nós somos um grupo de 18
empresários que vamos constituir e procurar desenvolver.
Procuraremos os órgãos públicos e daremos
a influência que temos para conseguir cursos gratuitos.
Pretendemos montar isto até o final do ano. O Sebrae
vai nos auxiliar na montagem do projeto. O problema de Viamão,
hoje, é a falta de pessoas com mão-de-obra qualificada
e o projeto servirá para mudar isso.
Revista:
O senhor procura se aperfeiçoar através de cursos,
palestras etc?
Menezes: Quando eu era representante, todos
os anos participava de cursos de vendas. Este ano eu fiz um
curso no Sebrae. Procuro sempre me atualizar.
Revista: Na empresa o senhor não só administra
como também ajuda a carregar o material etc. O senhor
sempre faz isso?
Menezes: Tem que ser ativo, estar sempre participando. É
preciso saber tudo, conhecer todas as áreas.
Revista:
O senhor nunca pensou em sair de Viamão?
Menezes: Não. Eu vejo da seguinte
forma: Viamão é hoje uma cidade que tem muito
a se desenvolver. Viamão é uma das cidades mais
promissoras.
Revista:
Se hoje tivesse novamente o movimento de emancipação
o senhor participaria?
Menezes: Se tivesse hoje uma nova tentativa eu abraçaria
a causa muito mais do que na outra vez.
Revista:
O que o senhor acha que mudaria?
Menezes: Para a empresa não mudaria muito,
mas sim a localidade se desenvolveria e todos sairiam ganhando,
inclusive as empresas.
Revista:
Vocês mesmos transportam?
Menezes: Nós transportamos. Nossos principais
clientes são redes de hotéis e motéis
que a gente faz um trabalho diferenciado.
Revista:
Que tipo de material a Menezes comercializa?
Menezes: Trabalhamos com pisos, azulejos, louças,
metais, banheiras de hidromassagem, aquecedores e nesta linha
nós somos os únicos em Viamão.
Revista:
Quando vocês vieram morar aqui encontraram alguma dificuldade?
Menezes: Não. Nós fomos bem recebidos
e sempre fizemos investimentos conforme as possibilidades,
nunca dando um passo maior que a perna.
Revista:
Em relação à época em que vocês
vieram para cá, mudou muito a Santa Isabel?
Menezes: Evoluiu bastante.
Revista:
Em qual sentido?
Menezes: O pessoal do comércio mudou bastante.
Na época em que eu vim para cá, não tinha
nem asfalto na Liberdade. Hoje, muitas lojas grandes já
estão vindo para a Santa Isabel. Se analisarmos, aqui
temos uma população muito maior que muitas cidades
do interior.
Revista:
Além do ramo, atuaste em outros ramos antes?
Menezes: Eu só trabalhei com eletrônica,
e antes, no colégio, trabalhei na padaria.
Revista: E por que resolveste investir nesse ramo?
Menezes: Porque eu era representante comercial, vendia para
esse pessoal e via que eles não acreditavam no próprio
negócio. Eu penso assim: se eu não investir
no meu negócio, vou investir no quê? Eu conhecia
os representantes de outras fábricas, então
eu tive bastante apoio dos meus colegas representantes, para
me darem força, liberar crédito rápido.
O pessoal já me conhecia.
Revista:
Pretendes investir em outro ramo?
Menezes: Estamos com um projeto já, adquirimos,
em outubro de 2001, uma área de 3 mil metros quadrados
perto da Mu-Mu. Este ano vamos fazer o resto da escavação.
Nós vamos fazer uma loja e um motel. Um motel, a princípio
com 20 apartamentos, padrão classe A, que Viamão
não tem ainda. A loja não terá show-room,
só ponto de venda. Pretendemos iniciar este ano.
Revista:
O que o senhor acha que a Santa Isabel tem de bom?
Menezes: É como se fosse uma cidade do interior.
Você sai aqui e conhece todo mundo. É muito bom.
Revista:
O que o senhor espera do futuro da Santa Isabel?
Menezes: Emancipar. É o que falta.
Revista:
Por que o senhor veio do interior para cá?
Menezes: Meus pais são pequenos agricultores,
moram lá ainda. Eu não via futuro pra mim. Eu
tinha que sair. O único que gera emprego é a
Prefeitura, então, eu não queria aquilo pra
mim, tive que sair, vir à luta.