Personalidades
 
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Renato Kerkhoff
Advogado e Técnico Contábil, Renato Kerkhoff sempre foi um lutador por Viamão e pela Santa Isabel tendo se envolvido inclusive na tentativa de emancipar o 4º distrito. Seu escritório está instalado em Viamão há mais de 36 anos e hoje, além de prestar assistência jurídica e contábil a várias empresas, Kerkhoff exerce diversos cargos de representatividade nas duas profissões em que atua. Como advogado, formado pela PUCRS, é vice-presidente da OAB, subseção Viamão. Como técnico contábil, é vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade e da Junta Comercial do Rio Grande do Sul, exercendo ainda a presidência da Associação Gaúcha de Contabilidade.
Seu hobby principal é jogar futebol. Com 59 anos de idade, Kerkhoff é casado com Edi Amélia, tem três filhos Ricardo, Renata e Rosana e o neto Davi (sua mais nova paixão), filho de Ricardo. Adora churrasco e seu programa nos finais de semana é a pescaria. Aprecia a natureza e principalmente o parque Nacional dos Aparados da Serra. A seguir, sabemos um pouco mais sobre Renato Kerkhoff.

Entrevista concedida à Revista Santa Isabel

Revista: O senhor já tinha profissão?
Kerkhoff:
Eu já era técnico em contabilidade, já havia trabalhado durante três anos em Alvorada e tinha em 71 um escritório em Cândido Godói durante um ano, mas como o crescimento do escritório limitou-se e no fim do ano não tinha mais para onde ir, vi que não tinha mais chance de crescer, aí resolvi apostar em Viamão.

Revista: O senhor nasceu em Giruá. Veio de lá para Alvorada?
Kerkhoff:
Na verdade Giruá era um município muito grande na época em que eu nasci, depois se desmembrou pra Santa Rosa, nos mudamos pra Santa Rosa, o município foi se desmembrando, me criei no interior de Santa Rosa, na cidade hoje chamada Parendi, de lá fui estudar em Santo Ângelo, onde me formei no ginásio, terminei o ginásio em Santo Ângelo, porque não tinha estudo lá no interior, fiz um ano de contabilidade no Colégio Dourado, no Passo D´Areia, perto no campo do São José, voltei para Santa Rosa e terminei o técnico em contabilidade no Machado de Assis. Três anos de contabilidade, enquanto eu trabalhava no Banco Agrícola Mercantil. Fui bancário durante dois anos lá, quando eu terminei, me formei, no fim do ano, o mesmo Vitor Brum, que havia me convidado, havia parado na casa dele, me convidou a voltar a trabalhar com ele. Tinha me formado. Trabalhei com ele de 68 a 70. Três anos trabalhei com ele. Então aprendi tudo sobre contabilidade, me envolvi com esporte em Alvorada, fui diretor da juventude do União que era a maior sociedade conhecida em Alvorada na época. Fundei o primeiro jornal de Alvorada, o Urbano, até hoje tem alguns exemplares feitos em mimeógrafos, gelatina, coloridos. Participamos da primeira eleição do Pedro Antônio em Alvorada, em 1968, 69. Aí me desentendi com o Vitor e fui embora pra Santa Rosa. Comprei o escritório em Cândido Godói, me estabeleci um ano lá e voltei pra cá.

Revista: O que o senhor encontrou de dificuldade quando chegou aqui?
Kerkhoff:
Dificuldades eu encontrei no escritório, meio atrapalhado, tive que trabalhar muito para colocar tudo em dia. Nos damos bem com os clientes, tudo bem no começo. Só muito trabalho, envolvimento comunitário. Naquela época, isso foi em 74, 75, conseguimos com o José Grassi, que na época era vice-prefeito, e o Modesto Somariva, que era vereador, nós trabalhamos no sentido de obter pra cá uma linha telefônica porque não tinha telefone. O telefone de Viamão era uma central, tinha que chamar, pedir ligações pra fora porque era uma mesa. Nós conseguimos porque o Instituto de Pesquisas Hidráulicas, o IPH aqui em baixo, estava trocando a sua rede telefônica e nós gestionamos junto ao governo que, tanto o Grassi, José Grassi quanto o Somariva eram da Arena na época, que era quem mandava no estado, eles conseguiram uma brecha e nós conseguimos a extensão do cabo pra cá só que precisávamos de um número xis de pessoas, e foi aí que saímos numa campanha de casa em casa buscando adeptos da idéia de se colocar telefone e nós conseguimos. Muitos deles na hora de pagar desistiram por inúmeras razões, mas assim mesmo nós conseguimos um telefone de discagem direta antes de Viamão, aqui na Santa Isabel.

Revista: Qual foi o seu envolvimento com o futebol e a Sogisi?
Kerkhoff:
Quando cheguei aqui a Sogisi era a única sociedade que abrangia tudo, os meus clientes faziam parte da sociedade, freqüentavam a sociedade, não havia outra sociedade sem ser o CTG Pealo da Estância e a gente começou a participar efetivamente. Inicialmente como jogador de bolão e depois mais tarde organizando times de futebol, futebol de salão, especialmente onde a gente se dedicou mais porque não tinha canchas aqui, a única cancha que nós tínhamos aqui era o Pasqualini. Nos irmãos Maristas, tinha lá um chão onde a gente jogava. As únicas duas canchas de futebol de salão que existiam. Então começamos a movimentar isso aí para melhorar. Tinha muito jogador pra futebol de campo. Aí se criou algumas sociedades. Algumas canchas que hoje estão aí são em cima daquela movimentação que se fez naquela época. A Sogisi, tivemos também o Medianeira que foi um time que tirou vários títulos locais. A gente participava de todas as festividades, participava de todos os encontros que haviam. Sempre se levava o time para participar.

Revista: O senhor sempre foi atuante nas questões da região em que mora?
Kerkhoff:
Eu vim em 72 pra cá e em 76 já fui eleito vereador, segundo mais votado no MDB. Quatro anos morando aqui eu me interessei, me dediquei, procurei ver os problemas que a gente tinha aqui, tudo mais, e entendi que a participação de qualquer um de nós é necessária. Quanto mais honesto tu te achas, mais tu deves te interessar por política porque com isso aí você vai demonstrar que se você é um sujeito que tem caráter, pode passar pela política e sai por lá de dentro. O que a gente lamenta e vê muitas vezes é que a pessoa se acha muito séria, muito competente, muito correto e a partir do momento que se envolve com o poder, aquela formação se desmancha. O poder é a coisa mais corrompível que existe. Nem o dinheiro, nem nada corrompe tanto as pessoas como o poder. E as pessoas enfraquecem. Tanto pela vaidade quanto pelas possibilidades que encontram. Eu me elegi vereador, assumi logo, primeiro assumi a câmara, depois fui convidado pelo Pedro Antônio a assumir a secretaria da fazenda. Fiquei dois anos na secretaria da fazenda. Como o meu mandato foi de 76 a 82, foram seis anos, houve uma prorrogação no mandato que era de quatro, houve uma mudança. Também assumi durante um ano a secretaria da administração, daí voltei pra câmara, trabalhei um ano na câmara e fui presidente da câmara, por um mandato de dois anos. Fui candidato a prefeito em 1982, perdi pelo voto vinculado. Voto vinculado de governador ao prefeito. Eu tive a infelicidade de ter 2% a menos de votos que o Tapir Rocha, que na soma do PDT, na época, venceu a eleição. Depois disso aí fiquei algum tempo fora de envolvimento, fui convidado pelo governador Pedro Simon, quando assumiu o governo em 1987, para coordenar o Sine durante um ano, depois fui convidado para ser o diretor financeiro e administrativo da Cohab. Naquela época, a Cohab estava envolvida com 11.000 habitações invadidas: Guajuviras, Onze de Abril e Rubem Berta. E foi cumprida a negociação com os invasores, que no entendimento deles deveriam ficar com tudo sem pagar nada. Conseguimos contornar isso tudo e negociar. Enquanto isso eu coordenava o Sine. Coordenei o Sine durante um ano sem nenhuma remuneração. Era diretor da Cohab e cuidava o Sine. Fiquei três anos lá na Cohab e fui embora porque não concordava mais com o comportamento do presidente da Cohab que assumiu no terceiro ano do mandato do governador.

Revista: Como o senhor consegue administrar todos os cargos?
Kerkhoff:
O tempo, quanto mais se tem mais se consegue administrar o tempo. Houve uma época em que eu estava envolvido com 16 atividades, envolvido com tudo que é coisa: entidades de classe, entidades associativas, beneficientes etc. Mas isso aí, sempre se consegue encontrar tempo, se quiser. Quanto mais você tiver atividades mais você tem que encontrar tempo.
Obviamente, você tem que estabelecer prioridades: o que é mais necessário, obrigatório, alternativo e o que você pode deixar de lado. Graças a Deus eu tenho uma estrutura aqui boa no escritório: meus filhos trabalham aqui, minha esposa trabalha aqui, meu concunhado trabalha também, então eu posso me dedicar a alguma coisa. Mas a gente consegue tempo para tudo, é só querer.

Revista: O senhor está se dedicando à política atualmente?
Kerkhoff:
Eu sou filiado a um partido, mas não tenho encontrado ambiente para trabalhar porque realmente existe a manipulação de interesses de uma minoria que se mantém agregada ao poder, seja ele local ou estadual, sempre os interesses pessoais caminham junto ou na frente dos interesses da comunidade. Tenho me dedicado ultimamente à política partidária dos interesses das minhas classes, tanto na advocacia quanto na contabilidade.

Revista: Quais os seus planos para o futuro?
Kerkhoff:
Manter a empresa em atividade, com os filhos e sobrinhos trabalhando, e tentar fazer alguma coisa com mais liberdade de ação. Não que na área política eu não tenha interesse, porque faz parte da gente que milita no meio político, você sempre tem a expectativa. Eu não gostaria de ser legislativo, pois entendo que o legislativo hoje está omisso. Na câmara de vereadores de Viamão não seria mais o caso. Já fui sondado várias vezes para ser candidato a deputado estadual. Mas não me parece que eu esteja moldado para este tipo de coisa. A única oportunidade que eu vejo aqui, se ocorresse a emancipação, era ser candidato a prefeito no 4º distrito. Em Viamão, não vou dizer que não, mas é muito difícil. Eu só aceitaria em uma condição de absoluta certeza de que iria ganhar, com uma conjugação de esforços independente de partidos. Iria buscar uma solução que realmente buscasse pessoas e não partidos. Em Viamão hoje, existem pessoas que são permanentemente candidatos. Isto é ruim, pois você cria um vício. As pessoas não vêem mais nada, acham que aquele é o único caminho.