Entrevista
concedida à Revista Viamão
Revista Viamão: Como era sua
vida em Porto Alegre?
Marino Balbino dos Santos: Perdi meu pai muito cedo,
quando eu tinha 7 anos de idade. Então, tive que ajudar
minha mãe no sustento da casa. Aos 8 anos, já
trabalhava. Minha mãe lavava roupa para fora e eu fazia
as entregas. Também trabalhei como entregador de alfaiate
e dos 14 aos 18 anos, numa indústria de rádios,
até ir para o exército. Estudei apenas até
a 5ª série, na Escola Inácio Montanha.
Depois do exército, fui jogador de futebol do time
do Banco Agrícola Mercantil.
Revista:
Por que veio para Viamão?
Marino: Vim em 66. Estava difícil a vida na
capital, então, comprei um terreno na Santa Isabel.
Nesta época, eu trabalhava na Prefeitura de Porto Alegre,
no setor de limpeza. Mesmo mudando de cidade, continuei trabalhando
lá, só que agora na Usina do Gasômetro,
como estivador e segurança.
Revista:
Quando surgiu o interesse pelo Carnaval?
Marino: Desde os 14 anos, quando um irmão
mais velho, que já fazia parte do bloco, me levou para
conhecer Grupo Carnavalesco Embrutos. Acompanhei este grupo
por quase 15 anos, onde fui até a presidência.
Durante o tempo em que estive no grupo, vi passarem de 30
para mais de 50 os integrantes. Quando o Embrutos parou, eu
também parei, pois não sai mais em nenhum outro
grupo, apenas acompanhava as escolas.
Revista:
Como surgiu a Escola de Samba Unidos da Vila Isabel?
Marino: Já existia uma vontade de fazer uma
escola na vila, mas nunca saía. Eu só observava,
estava a pouco tempo com minha família aqui, e não
me metia, não tinha muitas amizades ainda.
Então quando comecei a fazer mais amigos aqui, começamos
também a fazer excursões para o terminal de
Cidreira. Alugávamos um ônibus, convidávamos
o pessoal e íamos para a praia. Isso foi por uns 6
ou 7 anos. A gente juntava o pessoal, levava uns instrumentos
e fazia um carnaval! O pessoal foi se entusiasmando e foi
daí que surgiu a Escola Unidos da Vila Isabel. Nesta
época, eu já levava 4 ônibus para Cidreira,
e tinha uma gurizada boa, alguns, como eu, estão até
hoje na Escola.
Algumas pessoas têm uma versão diferente de como
surgiu a escola, e que outra pessoa teve a idéia de
fundar a Vila. Isso porque, quando fundamos e a Escola, em
1979, eu fui vice-presidente. Mas eu comecei e segurei a Escola.
"Temos
muito a agradecer e respeitar essa figura que sempre esteve
ativo no quadro da escola. Tio Marino representa o elo do
passado com o presente e também com o futuro da Vila
Isabel. Ele é exemplo de força, raça
e ser humano do bem. Vida longa ao Tio Marino!" - Cláudia
Gutierres