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“Nasci
no garrão do Rio Grande, lá onde três pátrias
se irmanam - Brasil, Uruguai e Argentina - num entrechoque impressionante
de culturas, ritmos, vozes, paixões, instintos atávicos
que se mesclam com ternura e rebeldia; lá, enfim, onde
o grito abarbarado das etnias dança na voz dos ventos,
no murmúrio das águas, no doce mistério
dos descampados, forrando de essência libertária
e humanismo universalista a alma dos homens.” |
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Esse depoimento pertence ao jornalista, radialista, escritor
e historiador João Batista Marçal, responsável
pela coluna Ronda, na última página da nossa revista.
“Eu sou um homem de fronteira - continua - que nasceu
com a alma na garupa, tropeando estrelas, negaceando esperanças
maltrapilhas e trazendo nas pupilas todas as tonalidades de
um verde que se espreguiça nas lonjuras infinitas. Quaraí,
plantado à sombra do Jarau lendário, é
minha querência nativa.”
Homem de televisão, de palco e de tribuna, intelectual
polêmico pelas idéias radicais que defende, Marçal
é hoje uma referência nacional na área da
História e das Ciências Sociais. Especialista em
história da classe operária, autor de doze livros,
seus textos circulam aplaudidos nas melhores universidades norte-americanas
e brasileiras.
Reside há quase 20 anos na Santa Isabel onde mantém
um Centro de Estudos e Pesquisas que leva seu nome. |
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